UM VOO
RAZANTE

 

 

Sociedade Agrícola Quinta do Vale da Lousa, SA

 

Quinta do Vale da Lousa

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Caixa de texto: QUINTA DO VALLE DA LOUSA

Foi um acto de paixão que levou os actuais proprietários a tomarem para si o cargo de manterem e explorarem o que constitui um património histórico e ecológico único de que se assumem como fiéis depositários.

É fundada pelo Pai da Cirurgia em Portugal, Dr. Manoel Constâncio, que inscreve de forma directa essa relação em vários pontos da Quinta.

Reflecte o espírito das quintas nobres da época,  ia o Séc. XVIII a meio, na forma como se desenvolve. 

As casas -  principal, secundárias e anexos - abrem-se a Sul segundo um alinhamento único, baixo e térreo, fundindo-se e recebendo o mesmo telhado de duas águas.

A partir da casa e no prolongamento do pátio/rua inicia-se o deambulatório composto por uma sucessão de jardins, veredas, recantos, lagos, fontes, cascatas, repuxos que culminava na nora como um fim merecido e glorioso para aqueles se dispunham ao caminho.

São muitos os pontos de descanso e contemplação. No ponto mais alto, o belveder, associa-se à mina principal que é simultaneamente um reservatório imenso que faz dele uma obra hidráulica incomum no tempo.

Ainda de acordo com a época o jardim interliga-se com a actividade agrícola.  Os mesmos caminhos acedem às hortas e espaços ajardinados, os tanques alimentam os repuxos e os pomares, nas caleiras criam o rumorejar da água correndo e garantem a distribuição da água preciosa para os campos agrícolas. 

Muito próxima fica esta quinta, no extremo do Ribatejo, de outras de Lisboa e arredores, da mesma altura.

No início do Séc. XIX , ao que era o celeiro setecentista, é-lhe acrescido um primeiro andar que confere um ar solarengo à casa principal e o espaço urbano assume a forma que tem hoje.

Do núcleo primitivo, 250 anos depois, pouco mudou; a cozinha, os vestíbulos a cozinha mantêm a sua singeleza campesina temperados por uma Capela de traça bem mais elaborada de acordo com a religiosidade do Cavaleiro de Cristo Manoel Constâncio

Os bosques envolventes da casa e jardins são dominados pelos Cupressus (vulgo cedros muitos do Buçaco ), laureos (loureiro e afins) e alfarrobeira. A persistência dos sucessivos proprietários fez com que eles, hoje, assumam a forma espontânea.

Á sua volta persistem ainda alguns exemplares de carvalho-cerquinho, medronheiros de porte arbóreo e,  abarcando todo o espaço, pinheiro manso e claro o omnipresente eucalipto.

Em termos agrícolas uma vinha, de tinto Castelão e brancos do Fernão Pires, ocupa o anfiteatro sobranceiro à casa dominando, hoje, esta vertente. Às variedades acrescem as condições da terra e do meio criando um vinho com raízes na verdade das nossas tradições, expressivo e afirmativo.

Ainda com expressão produtiva crescem as laranjeiras, as nogueiras e os marmeleiros. Outras culturas persistem timidamente: figueiras, romãzeiras, ameixieiras, nespereiras…

Há ainda no ar o bucolismo que Bocage viveu quando por aqui passou e que cantou à sua Margarida, filha de Constâncio, a Marília, a sua grande paixão.

A componente lúdica da Quinta sobrepôs-se quase sempre à dimensão agrícola. Foi assim com o fundador, que pelos filhos foi acusado de gastos excessivos com a mesma, como ao longo dos tempos talvez exceptuando a 2ª metade de Séc. XIX.

Querem os proprietários, que optaram por tornar a Quinta a sua habitação principal,  encontrar as saídas (recorrendo a todo o potencial da propriedade) que permitam sustentar, manter e preservar o espírito e a envolvente do lugar.